Matt Shepard is a friend of mine

15:06:00


Navegando pelos itens adicionado na minha lista na Netflix, reencontrei o documentário "Matt Shepard is a friend of mine", lembro-me de ter visto uma bela foto de Matt na 'capa' e pensando "garoto bonito, vou assistir mais tarde, deve ser legal", não me dei ao trabalho de ler o pequeno e triste texto que acompanhava o documentário que falava sobre 'a história que chocou os Estados Unidos e que o mundo não deveria esquecer'. Um tempo depois, assisti ao documentário, me emocionei e refleti sobre como o ser humano se sente tão superior a ponto de julgar o outro onde nem cabe quaisquer julgamento.

No final do mês passado a apresentadora americana Ellen DeGeneres recebeu a medalha de honra das mãos do então presidente Barack Obama - Obama querido, sentiremos sua falta - e lendo alguns artigos sobre isso em diferentes sites de notícias, me deparei com um cidadão português que questionava "Ela recebeu uma medalha por ser homossexual. Isto merece um prêmio?", lembrei então do breve trecho do discurso de Ellen que foi exibido no documentário de Matt - o qual você pode ver a foto ao lado durante um dos tantos protestos pela morte de Matt Shepard em 1998, e isso me fez querer escrever esse post. 


O ano era 1998, um jovem bonito, loiro, culto, simpático, bem educado e estudante da Universidade do Wyoming morre em decorrência de traumatismo craniano causado pelas agressões de dois jovens que o  acompanharam na saída de um bar e o levaram até um local afastado onde fora torturado e agredido com chutes, socos e coronhadas de pistola e posteriormente pendurado em uma cerca para morrer. O motivo para tanto? Matt era gay. Não, ele não agrediu, ameaçou ou cometeu um crime, ele apenas era gay.


O documentário intimista dirigido por uma amiga de Matt trás os fatos que antecederam seu suspiro final. Michele Josue nos permite sentir como se Matt fosse uma amigo de longa dada, como se pudessemos conhece-lo através dos depoimentos de seus amigos, familiares, vídeos caseiros e anotações. Matt Shepard era um jovem que com o desejo de tantos outros, mudar o mundo. A intenção de Michele no entanto foi mostrar o que havia por trás do ícone de luta contra a intolerância.

“Ele se tornou um símbolo do ódio e da intolerância contra os quais a comunidade LGBT tem de lutar todos os dias, mas meu amigo estava desaparecendo e eu queria que todos também conhecessem a pessoa amável e divertida que todos nós amamos”.

Para mim, a parte mais emocionante acontece nos depoimentos sobre o dia em que Matt morreu, após cinco dias de luta quando seu mentor, a pedido dos pais 'conversou' com ele sobre "ir", não lutar mais e permitir parar com o próprio sofrimento. Vocês que leem esse blog sabem, eu choro muito e não é tão difícil me fazer derramar algumas (muitas) lágrimas. Imaginei o quanto difícil é para uma mãe pedir que alguém converse com seu filho e peça que ele para de lutar contra a própria vida quando esta foi tirada de suas mãos através de um ato de ódio gratuito e tão covarde.


Para o povo dos Estados Unidos, o crime não foi em vão de fato, a repercussão e choque perante a crueldade sofrida levou à criação de leis contra práticas discriminatórias e em 2009 o congresso americano aprovou a Lei Matthew Shepard pela Prevenção de Crimes de Ódio, assinada pelo presidente Barack Obama (que Deus dê saúde e coragem para que volte à Casa Branca em breve, amém).



Quase 20 anos depois tivemos muitos Matt(s) ao redor do mundo, pessoas que sofreram e foram severamente castigadas pelo ato de ser. Ser mulher, ser homem, ser de determinada região, ser torcedor, ser defensor, ser humano. Gostaria de dedicar este post para todos os seres realmente humanos, aqueles que vêem ao próximo como um igual afinal, ainda que com todas as diferenças que nos tornam únicos é o que somos, iguais.



Então, sim, meus amigos e caro anônimo português, talvez Ellen DeGeneres tenha ganho uma medalha de honra por ser 'homossexual'. Uma mulher 'homossexual' que assumiu suas escolhas publicamente em um dos maiores veículos de comunicação que a humanidade já viu, a televisão. E não, não foi hoje, isso aconteceu há mais de 20 anos. Em um mundo que era - pasmem - ainda mais preconceituoso, homofóbico e possuidor do direito de colocar o dedo na cara do próximo para julgá-lo. Enquanto apresentadora de TV e pessoa influente, se colocou a frente de uma das nações mais tradicionais para lutar pelo direito de ser. Direito que deveria mas, não é tão simples quando eu ou você por exemplo, gostaríamos que fosse. E sim, ela mereceu cada parte dessa honra por ser 'homossexual', por ser mulher, por ser ativista, e por sua coragem, força e persistência. E sim, se eu estivesse lá, teria a aplaudido de pé.

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Este não um filme sobre um garoto bonito.
É um filme sobre um garoto que morreu por um erro que não era seu, uma ignorância pela qual as pessoas insistem em errar e defender até hoje, quase 20 anos depois.

Ao saber sobre a ligação da diretora e o personagem principal, o que pensei sobre o título foi "isto é sobre o amigo que ela perdeu", após assistir este filme, entendi que não é sobre Matt ou sobre o amigo de Michele, é sobre algo maior, sobre aquele parente ou amigo nosso por quem tememos que no mundo em que vivemos hoje, seja alvo do mínimo que seja do que Matt sofreu, sobre aquele amigo que queremos proteger e pelo qual todos devemos lutar.

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26 comentários

  1. Uma pausa pra secar as lágrimas, por favor.
    Que post maravilhoso, sério. Chorei!
    Tão lindo, emocionante e significativo que eu vou compartilhar no post de blogueira de hoje. Preciso que mais pessoas leiam seu texto.


    Beijos,
    Blog Gaby DahmerFanpageInstagramTwitter

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    1. Oi Gaby!
      Obrigada, é tão legal quando escrevemos algo de coração e se torna importante para outra pessoa, fique à vontade para espalhar o link e obrigada pelo comentário.

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  2. Estou muito apaixonado por este post, muito significativo mesmo. Adorei, Maravilhoso.

    http://misteriosliterarios.com.br/

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  3. Acessei sua postagem ontem e não encontrei, que bom que agora está disponível, já anotei o nome do documentário para assistir :)

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    1. Opa, que bom que normalizou.
      Vou verificar o que pode ter acontecido.

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  4. Nunca vi o documentário, mas dá realmente que pensar como pode uma pessoa ser espancada e deixada para morrer só porque é gay!? Algo de muito errado aconteceu na nossa educação!
    Se estivesse lá...também aplaudiria a Ellen de pé. Beijinho.

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    1. Penso o mesmo, é um ato horrível e que se você for assistir, verá que pior do que essa atitude de quem fez é que teve muita, muita gente defendendo os agressores.

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  5. Adorei o post!
    Não vi o documentário, mas não consigo perceber como é que o ser humano é capaz de certas barbaridades. Quem somos nós para julgar ou apontar o dedo.
    A nossa liberdade termina quando começa a liberdade do próximo, mas infelizmente ainda há muitas pessoas que não percebem isso e que não respeitam o próximo, seja por que motivo for :(

    A medalha de Ellen foi mais que merecida!

    Beijinho,
    https://demantanosofa.blogspot.pt/

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    1. Palmas para o seu comentário! Super gratidão por ter vindo, lido e comentado aqui.

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  6. Nossa, não vi o documentário! Eu primeiramente, acho que devemos repeitar o outro, por mais que não aceitamos o estilo ou o gênero sexual, no caso.

    A medalha dela foi merecida! Amei você comentar sobre isso! Bjos Blog Marinspira

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    1. Oi Mari, fiquei receosa no início se o pessoal iria entender ou não a mensagem e estou feliz e aliviada que o pessoal entendeu e que meu público concorda com minha posição.

      Luz!

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  7. Que lindo esse post, escrevo aqui com lágrimas nos olhos, vou procurar o documentário para dar uma olhada, obrigado por compartilhar...Bjs

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    1. Gratidão por ter separado seu tempo para fazer esse comentário e deixar meu dia com mais luz.

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  8. Não conhecia este caso nem o documentário, mas realmente esta história é de uma crueldade gritante. Como é que o ser humano consegue descer tão baixo?

    Beijinho <3

    Lina Soares
    Trinta por uma linha

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    1. Pior do que os agressores, foi a quantidade de gente que chegou a ir até o velório insultar a família do rapaz e a memória dele, fiquei abismada.

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  9. Oi Lua, tudo bem?

    Eu já tinha escutado falar do documentário, mas ainda não tive coragem pra ver pq sei que vou chorar horrores. Amo a Ellen, é minha apresentadora preferida e acho que o prêmio foi mais do que merecido!!! Amei o post!

    BJs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Michele, tudo bem e com você?

      Eu tinha assistido e pensado sobre mas não havia considerado fazer o post até me deparar com o comentário desse rapaz, ao contrário dele eu teria aplaudido ela de pé.

      Beijo!

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  10. Adorei o post ainda não tinha visto falar desse documentário,adorei saber dessa história
    emocionante.
    um beijo amore
    http://dessajoliiee.blogspot.com.br/

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  11. Nunca irá de ser triste 'ver' gente a morrer devido ao ódio e à descriminação. É bom que haja quem, sendo uma figura admirada, faça a diferença! Ou não o sendo, se torne admirado por fazer a diferença. Pena é que tenham de acontecer tragédias para chegar a isso...

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  12. Respostas
    1. De cair o queixo e parar para pensar na vida, não é?


      Beijos
      Lua Mariano
      www.meumundodalua.com

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  13. Que texto maravilhoso! Concordo com tudo o que você falou e que bom que você retornou!
    Beijos e boa semana

    Jovem Jornalista
    Fanpage
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21 anos atrás, fogos de artifício estouravam no céu competindo com o barulho de um choro estridente de uma pequena panda que veio ao mundo com a missão de tentar fazer coisas loucas darem certo. O resto não lembro muito, mas cresci e me graduei em Pedagogia e Marketing, e ainda serei uma futura arquiteta!

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